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ORGULHO NACIONAL

O artesanato brasileiro é rico em detalhes e em materiais, mas ainda há quem cisme em vê-lo com preconceito. Como entusiasta do nosso artesanato, Casa e Jardim reuniu as histórias de cinco pessoas que não só valorizam, mas fazem questão de incorporar essas peças à decoração de suas casas.

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ARTE INDÍGENA

“Para mim, o design brasileiro vem do artesanato. Bato bastante nessa tecla. Os italianos e franceses, por exemplo, tinham grandes escolas, mas acredito que o nosso design evoluiu a partir das diversas caras do nosso artesanato, principalmente do indígena”. É nisso que o banqueteiro e designer de interiores José Roberto Moreira do Valle acredita. Tanto é que uma recente viagem à Amazônia despertou nele a vontade de criar um novo projeto: “Comprei cocares, cestas de palha e outros itens de várias tribos indígenas – como Matyty, Paqrá, Matepi e Wyiepe – e estou transformando-os em peças de design”. Os objetos são colocados em caixas de acrílico, dando a eles status de arte. “O feito à mão ficou com o estigma de uma coisa barata, simples e popular. Quero desmistificar isso. Minha intenção, ao criar essa nova linguagem, é fazer com que as pessoas tenham orgulho em expor uma peça de artesanato”, explica José Roberto.

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MOBILIÁRIO COM HISTÓRIA

Entrar na casa da jornalista e professora de história do design Adélia Borges é como fazer um passeio pela cultura brasileira. “Viajo muito para dar palestras e tenho o costume de reservar um dia só para visitar os mercados, feiras de artesanato e exposições de arte do local”, conta. Esse constante garimpo rendeu uma série de livros — como o Design + Artesanato: o caminho brasileiro — e uma bela coleção, com mais de 50 itens de diversas regiões do país. O preferido? Uma cadeira de balanço do Vieira, artesão do povoado de Ilha do Ferro (AL). “O artesanato brasileiro é muito especial, dá para sentir a dedicação e a energia que o artesão passa de suas mãos para a peça. É algo que me conforta, acho que traz muito calor humano à decoração”, diz. “Esse meu interesse é uma coisa bem genuína, vem desde cedo. Tinha sete anos quando comprei a primeira peça, um candeeiro de metal bem enferrujado”, completa.

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BONECA GIGANTE

A arquiteta Roberta Borsoi já nasceu ligada ao tema. Sua mãe, a também arquiteta Janete Costa, teve um importante papel na divulgação da arte popular e do artesanato brasileiros. “Aprendi com ela a gostar, admirar e consumir o nosso artesanato. Fico doida quando vejo uma peça e já perdi a conta de quantas tenho. São mais de 100, com certeza”, afirma. Assim como a mãe, Roberta faz questão de inserir objetos brasileiríssimos em seus projetos. “O artesanato é nossa cara, nossa riqueza. É preciso valorizá-lo. É uma reflexão da realidade do local em que foi feito, um retrato da região”, diz ela, que está sempre em busca de novos nomes. “Cada região do país tem suas potencialidades e características próprias. Alagoas, por exemplo, tem uma cena muito forte. As coisas criadas lá são de enlouquecer, de uma riqueza de detalhes impressionante”. É de lá que vem a boneca de madeira, disposta próxima à escada.

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CAVALINHO DE PAU

O designer de joias Gervásio Milaneze expõe com orgulho o cavalo de madeira. A peça, garimpada em Ouro Preto (MG), deu trabalho até chegar à sala de estar. “Quando viajo, gosto de garimpar peças marcantes como esse cavalinho. O único problema é que ele não cabia direito no carro, então tive de voltar para São Paulo com o porta-malas meio aberto. Mas valeu a pena!” Sócio da Lavish Jewelry, que produz joias e acessórios feitos à mão, Gervásio é um entusiasta do nosso artesanato. Em uma rápida olhada pelo apartamento é possível ver peças de lata do artesão Milton Cruz, imagens do Cangaceiro Lampião e de Maria Bonita – clássicos do artesanato nordestino — e muitas imagens religiosas. “Também aprecio muito a arte sacra. Tenho várias santas de madeira talhada, que comprei no interior da Bahia. Gosto de incorporar esses objetos à decoração, eles dão aconchego”, diz.

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CASAMENTO NA JAQUEIRA

A decoração do apartamento já estava finalizada, mas a empresária Silvia Rodarte sentia que ainda faltava alguma coisa. “Queria quebrar a impessoalidade da decoração, então comecei a inserir um pouco de arte e artesanato. Dá um certo calor para a casa, acho importante ter essa referência a nossa cultura”, diz. Durante uma visita à Galeria Pontes, ela se encantou pela obra Casamento na roça, da Sil, artesã alagoana famosa por suas obras de barro. “O trabalho dela é incrível, cheio de detalhes. Tem um lado lúdico, de fácil entendimento. Encaro o artesanato como algo que é fácil de gostar e gostoso de ter. É uma forma de contrabalançar essa vida superurbana de São Paulo.”

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